
O DLSS 5 chegou ao NBA 2K27 prometendo jogadores com aparência mais realista. Só que ligar a novidade também pode derrubar bastante o desempenho. Como uma tecnologia da família DLSS, conhecida por aumentar os FPS, acaba fazendo a placa trabalhar mais para entregar menos quadros?
A resposta começa pelo que mudou: desta vez, o objetivo principal é melhorar a imagem. Os testes de lançamento mostram o preço dessa escolha, especialmente em 4K. Antes de trocar de placa por causa do recurso, vale separar três coisas que aparecem misturadas no marketing: qualidade visual, quadros renderizados e quadros gerados.
O que o DLSS 5 faz depois que o jogo desenha a cena
Segundo a explicação técnica da Nvidia, a renderização neural usa informações do quadro produzido pelo jogo para acrescentar detalhes de iluminação e materiais. Pele, cabelo e sombras são alguns dos elementos que podem mudar. A proposta é reduzir aquela aparência artificial dos personagens, mantendo a cena como referência.
Isso é diferente de reconstruir uma imagem de resolução menor, função do Super Resolution. Também é diferente de inserir quadros intermediários, tarefa da geração de quadros. São recursos distintos, embora possam funcionar juntos e carregar a mesma marca DLSS.
O driver Game Ready 616.64 acompanhou a estreia no NBA 2K27, com suporte inicial às RTX 50. Portanto, ter suporte não significa alcançar qualquer taxa de quadros em qualquer resolução. A opção aparecer no menu e a experiência ficar boa são duas etapas diferentes.
Para entender o custo, pense na sequência do trabalho: o jogo produz a imagem, o upscaling pode reconstruí-la e o processamento neural ainda precisa terminar. Economizar tempo numa etapa anterior ajuda, mas não elimina o trabalho da etapa final. É aí que a expectativa de ganhar desempenho só por ligar o DLSS encontra um problema.
370 FPS no anúncio precisam da nota de rodapé
A Nvidia divulgou até 370 FPS em 4K na RTX 5090. O cenário combina DLSS Performance e geração múltipla de quadros em 6x. Dividir 370 por seis dá aproximadamente 62 quadros de base por segundo naquele modo. O número grande está certo dentro da configuração anunciada; sozinho, ele conta uma história incompleta.
Essa divisão não é um benchmark com a geração de quadros desligada. Desativar um recurso também pode mudar o custo de processamento. Ela serve para entender a composição do resultado anunciado, não para substituir uma medição independente. A nota de rodapé está fazendo bastante trabalho nessa apresentação.
Nos testes de lançamento do Hardware Unboxed, comparando DLSS 5 ligado e desligado, sem geração de quadros, a RTX 5060 Ti de 16 GB caiu de 129 para 46 FPS em 1440p. A redução calculada a partir desses valores é de aproximadamente 64%. Já a RTX 5070 passou de 217 para 67 FPS, uma queda próxima de 69%.
Em 4K, a RTX 5080 foi de 185 para 53 FPS, enquanto a RTX 5090 caiu de 192 para 76 FPS. Dentro desse recorte, a 5090 foi a única dessas duas a manter média acima de 60 FPS. Isso sustenta uma conclusão sobre aquele teste, não uma regra de que o DLSS 5 só funciona nela.
O teste independente do Tom's Hardware reforça a importância da resolução: em 1080p, até a RTX 5060 ficou perto de 60 FPS com o recurso ativo. A publicação mediu partidas com configurações máximas, ray tracing e sem geração de quadros. Um resultado em 4K não descreve automaticamente a experiência de quem joga em Full HD.
Por que baixar o preset ajuda tão pouco
Nos números do Hardware Unboxed, trocar o preset Ultra pelo Alto levou a RTX 5090 de 76 para 78 FPS em 4K. Na RTX 5060 Ti, usar DLSS Quality elevou o resultado de 46 para 50 FPS em 1440p. São ganhos de aproximadamente 3% e 9%, respectivamente.
O motivo é o peso do processamento neural na resolução de saída. Se essa etapa ocupa boa parte do tempo necessário para entregar cada quadro, aliviar o restante do jogo rende pouco. Você corta trabalho antes dela, mas continua esperando que ela termine.
Também é importante distinguir resolução de saída da resolução física do monitor. Ter uma tela 4K não obriga o jogo a produzir sempre uma imagem 4K. O problema observado está associado à resolução escolhida para a saída, e os percentuais acima pertencem às configurações testadas. Não são uma previsão para todos os jogos futuros.
Por isso, comparar configurações de PC gamer exige olhar o jogo, a resolução e a taxa de quadros desejada. O mesmo nome de recurso pode representar uma escolha aceitável numa configuração e um custo alto demais em outra.
Consumo maior exige contexto antes do veredito
O Tom's Hardware registrou aumento de consumo com o recurso ativo e encontrou placas da RTX 5060 à RTX 5070 Ti operando no limite de potência em 1440p. A medição elétrica foi feita com equipamento PCAT. Esse resultado descreve o comportamento daquelas placas naquele teste.
Atingir o limite de potência não demonstra, por si só, defeito no conector. Da mesma forma, um relato isolado de falha não basta para concluir que o recurso reduz a vida útil de uma geração inteira. Consumo, desempenho e confiabilidade são perguntas diferentes e precisam de evidências próprias.
O veredito para uma compra é mais simples: não escolha uma placa apenas pelo número de FPS de um anúncio. Confira o desempenho de base na resolução que pretende usar e depois avalie o ganho visual. Os testes de estreia já mostram diferenças grandes demais entre configurações para transformar compatibilidade numa promessa de experiência.
Se o seu PC atende aos jogos que você usa, não existe obrigação de trocar hardware para ativar uma opção gráfica. E, se a troca já estava nos planos, uma avaliação de upgrade pode partir do que falta hoje. Comprar desempenho útil faz mais sentido do que comprar uma expectativa de otimização.


