
A EVGA deixou saudade entre quem acompanhava o mercado de placas de vídeo. A marca encerrou a fabricação em 2022, e ficou aquela pergunta: como uma parceira tão conhecida da Nvidia chegou ao ponto de abandonar as GPUs?
Um relato publicado por Brendon Ray Hedrick em 26 de setembro de 2026 ajuda a entender o desgaste dos anos anteriores. Ele trabalhou na EVGA de fevereiro de 2016 a dezembro de 2019 e descreve a dificuldade de depender de um fornecedor que também disputava o mesmo cliente. Hedrick já tinha saído quando aconteceu o rompimento. Suas lembranças iluminam a relação comercial, mas não são um testemunho das discussões que decidiram o fim da parceria. Esse limite acompanha o relato original.
Uma marca que atendia o telefone de madrugada
Hedrick entrou como temporário no suporte técnico. O primeiro equipamento de trabalho foi um telefone com headset, e ele acabou passando por supervisão, marketing e vendas. Quando deixou a empresa, era gerente de vendas. Essa trajetória ajuda a entender por que seu texto mistura carinho pela equipe com preocupação sobre o negócio.
Nos Estados Unidos, a EVGA oferecia atendimento técnico por telefone 24 horas por dia, sete dias por semana. Isso aparece no manual de placas de vídeo da própria fabricante. Para quem precisava resolver um problema, a diferença era concreta: havia alguém para atender mesmo fora do horário comercial.
Segundo Hedrick, essa cobertura contínua já tinha acabado antes de sua saída, embora ele não lembre exatamente quando. É uma mudança que ele destaca porque o suporte ajudava a diferenciar a marca. O relato não demonstra que uma exigência específica da Nvidia tenha causado o fim do atendimento 24 horas; registra a perda de algo que ele valorizava na empresa.
Founders Edition: fornecedor e concorrente na mesma vitrine
As preocupações de Hedrick começaram ainda no suporte, com as Founders Edition da geração Pascal, em 2016. A EVGA estava acostumada a comercializar projetos de referência da Nvidia com sua marca. Com a apresentação das Founders Edition, ficou mais evidente para ele a tensão de disputar compradores com quem fornecia os chips.
A Nvidia já vendia placas próprias antes disso. Portanto, a Founders Edition não inaugurou essa concorrência. Foi o momento em que, na lembrança do ex-funcionário, o conflito ficou mais claro dentro da EVGA.
Os preços da GTX 1080 ajudam a situar aquele lançamento. No comunicado de 6 de maio de 2016, a Nvidia anunciou a Founders Edition por US$ 699 e modelos personalizados de parceiros com preços esperados a partir de US$ 599. A própria EVGA também estava entre as empresas que venderiam a Founders Edition.
Ou seja, naquele lançamento a Founders Edition custava mais que o preço inicial anunciado para os parceiros. O incômodo descrito por Hedrick era a posição da Nvidia na relação: fornecia o componente central e, ao mesmo tempo, oferecia uma placa pronta ao consumidor. A parceria continuava, mas a disputa pelo cliente também estava ali.
Vender uma placa no prejuízo para continuar recebendo chips
Ao chegar à geração RTX 20, Hedrick descreve uma pressão mais direta. Segundo seu entendimento do acordo comercial, a EVGA precisava oferecer um modelo no preço de partida anunciado pela Nvidia. Se não fizesse isso, poderia receber uma quantidade menor de GPUs.
Essa quantidade era a cota de chips disponível para fabricar as placas. Uma redução atingiria a capacidade de vender outros modelos também. Por isso, conta ele, a EVGA mantinha um produto vendido com prejuízo para proteger o acesso aos componentes. É o que chama de loss leader: uma venda que perde dinheiro, mas cumpre uma função dentro do restante do negócio.
Isso explica a contradição. Desistir daquela placa barata poderia comprometer o fornecimento necessário às placas que davam margem. A empresa precisava aceitar uma perda em um ponto para tentar sustentar as vendas em outro, conforme o mecanismo descrito pelo ex-funcionário.
A lembrança pertence ao trecho sobre a geração RTX 20. Os US$ 599 da GTX 1080 ajudam a entender a diferença entre preço inicial e Founders Edition em 2016; não comprovam que uma GTX 1080 específica da EVGA tenha sido vendida com prejuízo por esse valor.
E o cliente encontrava a opção mais barata? Hedrick lembra que esses modelos ficavam esgotados quase continuamente. Ou seja, o preço de entrada aparecia no anúncio; encontrar a placa nesse preço já era outra parte da história.
Os modelos com margem, diz ele, traziam projetos próprios de circuito e refrigeração, mas custavam mais. Na avaliação de Hedrick, a evolução dos projetos de referência e do controle automático de frequência tornava mais difícil justificar esse adicional pelo ganho nos jogos. O trabalho de desenvolver uma placa melhor continuava existindo. Convencer o comprador a pagar a diferença ficava mais complicado.
Dos lançamentos sob sigilo ao rompimento em 2022
A tensão também aparecia na preparação dos lançamentos. Hedrick relata que recebiam as especificações das novas placas junto com o público, enquanto a Nvidia reagia com irritação a vazamentos. Para rastrear imagens enviadas às lojas, Jacob Freeman passou a colocar um ponto de cor diferente nas fotos destinadas a cada varejista. Se alguma vazasse, a cor indicaria sua origem.
Quando saiu, em dezembro de 2019, Hedrick acreditava que a relação caminhava para um confronto em quatro ou cinco anos. O rompimento ficou público em setembro de 2022, menos de três anos depois. No comunicado oficial de 16 de setembro, a EVGA informou que não teria placas da próxima geração e manteria vendas e suporte da linha então existente. A saída da fabricação não significou interromper todas as vendas naquele dia.
O relato ajuda a compreender o desgaste: dependência dos chips, restrições comerciais e dificuldade de diferenciar os produtos. Ainda assim, Hedrick escreveu de memória, a partir da própria perspectiva, e afirma não saber se a Nvidia pretendia tirar parceiros do mercado. A sequência dos acontecimentos não permite atribuir a ele conhecimento dos bastidores da decisão de 2022.
Para quem gostava da EVGA, fica a falta de uma opção com identidade própria. Ao planejar o próximo PC, vale olhar o conjunto da compra, incluindo atendimento e suporte. A gente reúne exemplos de configurações na página de builds e pode ajudar a avaliar um upgrade para a máquina que você já tem.
Fontes
- Brendon Ray Hedrick: relato sobre sua passagem pela EVGA, publicado em 26 de setembro de 2026.
- Nvidia: anúncio da GeForce GTX 1080, de 6 de maio de 2016.
- EVGA: manual com a oferta histórica de suporte técnico por telefone 24 horas.
- EVGA: comunicado de 16 de setembro de 2022, preservado no Internet Archive.


