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Memória EXPO ULL: o kit CL26 da G.Skill vale a pena?

O EXPO ULL da AMD promete DDR5-6000 CL26 com sub-timings automáticos. Veja por que ele quase não muda nada no Ryzen X3D e onde gastar melhor.

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Todo ano aparece um lançamento de hardware que é tecnicamente impressionante e, ao mesmo tempo, completamente sem propósito. O EXPO ULL — o novo perfil de memória da AMD em parceria com a G.Skill — é o exemplo perfeito: são os pentes de DDR5 mais afiados que o dinheiro pode comprar, e eles não fazem diferença praticamente nenhuma justamente nos computadores de quem teria dinheiro para comprá-los.

Vale entender o que é esse perfil, o que os testes mostraram e por que, aqui na PC Builder, a gente não recomenda esse kit para ninguém — nem para quem tem orçamento sobrando.

O que é o perfil EXPO ULL

Todo pente de memória carrega um chip chamado SPD, que informa à placa-mãe as configurações seguras do módulo. Por padrão, um sistema DDR5 sobe em modo conservador, a 4800 MT/s, independentemente do que está escrito na caixa. Para rodar na velocidade anunciada, você precisa ativar um perfil na BIOS: o XMP, criado pela Intel em 2007, ou o EXPO, o equivalente da AMD para as plataformas Ryzen.

Esses perfis clássicos configuram o básico: frequência, os timings principais (aqueles quatro números do tipo 30-38-38-96) e a voltagem. O resto — os sub-timings, dezenas de ajustes finos que definem o comportamento real do controlador de memória — fica no automático, calculado pela placa-mãe de forma conservadora.

O EXPO ULL (de Ultra Low Latency) vai além. Ele traz esses sub-timings já definidos dentro do próprio perfil e ainda mexe em voltagens auxiliares do processador. Na prática, é o ajuste manual que só entusiasta paciente conseguia fazer, empacotado em um clique da BIOS.

DDR5-6000 CL26 e uma ventoinha em cima do pente

O resultado aparece no número que interessa: a latência. Um kit DDR5-6000 comum trabalha na casa de CL36 a CL38. Os kits ULL da G.Skill, apresentados na linha Trident Z5 NeoX RGB, chegam a CL26 na mesma frequência de 6000 MT/s, com timings como 28-36-36-32 nos modelos intermediários. É uma diferença enorme no papel.

Só que apertar tanto assim cobra o preço em calor. O kit topo de linha, o 6000 CL26, vem com refrigeração ativa: uma ventoinha por módulo, co-desenvolvida com a Cooler Master, ocupando cerca de dois slots de espessura. Ou seja, além do preço, ele exige uma placa-mãe com folga entre os canais de memória e um gabinete que comporte esse volume todo perto do cooler do processador. Se você está avaliando uma configuração nesse nível, vale conferir nossos builds prontos antes de fechar a lista de peças.

O teste que derruba o argumento

A pergunta óbvia é: quanto isso rende em jogo? O canal alemão der8auer fez o teste mais honesto possível — o mesmo kit de memória, ligando e desligando o perfil ULL, para isolar exatamente o efeito dos timings.

Em um Ryzen 7 9800X3D, o ganho ficou entre zero e 3%, e em vários jogos simplesmente não houve diferença mensurável. E isso em um cenário forçado — placa de vídeo topo de linha rodando em 1080p, justamente para maximizar a dependência do processador. Em 1440p ou 4K, a diferença encolhe ainda mais.

O motivo é o próprio X3D. O grande truque desses processadores é o cache 3D empilhado: 96 MB de L3 colados nos núcleos, funcionando como um estoque gigante de dados a poucos nanossegundos de distância. Se o processador quase nunca precisa sair buscando informação na memória RAM, a qualidade dessa memória deixa de importar.

Ironicamente, quem ganha alguma coisa é quem não tem X3D. No mesmo teste, um Ryzen 7 9700X — sem o cache adicional — teve média de cerca de 4%, chegando a picos de 8% em Cyberpunk 2077 a 1080p. Aí sim é um ganho real.

Quanto custa e por que a conta não fecha

O primeiro kit ULL a chegar ao varejo, de 32 GB DDR5-6000 CL26, foi anunciado por US$ 1.099,99 — cerca de 57% mais caro que o mesmo kit sem o perfil ULL. Convertendo com câmbio e impostos, isso colocaria o produto na faixa de R$ 8 a 9 mil por aqui. Vale o aviso: essa é uma estimativa nossa, já que os kits sequer chegaram oficialmente ao varejo brasileiro.

E é aqui que a lógica desmonta:

  • Quem tem um 9800X3D ou 9950X3D — o público com dinheiro para pagar — não ganha praticamente nada, porque o cache 3D já resolve o gargalo que a memória tentaria resolver.
  • Quem tem um 9700X — o público que ganharia de 4% a 8% — quase nunca tem orçamento para torrar alguns milhares de reais de diferença só na memória.

Para esse segundo perfil, a mesma grana gasta de outro jeito rende muito mais: migrar para um processador com cache 3D, dobrar o armazenamento com um SSD NVMe decente, trocar uma fonte duvidosa por uma confiável ou subir uma faixa na placa de vídeo. Qualquer uma dessas trocas entrega mais quadros por real investido do que sub-timings apertados. É exatamente esse tipo de conta que fazemos nos upgrades que passam pela nossa bancada.

A regra da casa para memória no AM5

Nada disso significa que memória não importa. A recomendação continua a mesma, e o ULL não mudou nada nela:

  1. DDR5-6000 CL30 segue sendo o ponto ideal da plataforma AM5 — o equilíbrio entre frequência e latência com que o controlador dos Ryzen se dá melhor.
  2. Sempre ative o EXPO na BIOS. Memória boa rodando a 4800 por esquecimento é um dos erros mais comuns que vemos em máquina de cliente.
  3. Não estranhe o primeiro boot demorado em placas AM5. Aquele tempo parado é o treinamento de memória e acontece uma vez só.
  4. Gaste o excedente em outro lugar. Acima de um bom kit 6000 CL30, o retorno por real investido despenca.

Conclusão

O EXPO ULL é engenharia legítima e provavelmente vai ficar mais relevante em plataformas futuras, quando os processadores voltarem a depender mais da memória principal. Hoje, porém, é um produto que resolve um problema que o público-alvo dele não tem. Tecnologia bonita, cliente inexistente.

Se você está montando um PC, planejando um upgrade ou só quer uma segunda opinião antes de gastar, a gente monta a configuração junto com você. Dá uma olhada na nossa loja ou fale com a gente — a orientação é sempre pelo que faz diferença no seu uso, não pelo que fica bonito na caixa.

Fontes

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